Aprendendo com as crianças
- Carolina Nascimento
- 31 de jul. de 2020
- 2 min de leitura
É bastante comum ouvirmos e reproduzirmos a seguinte frase: “é difícil demais ser adulta/o”.
Não é à toa que isso está na boca do
povo, e na nossa. Ser responsável por si próprio é mesmo desafiador. Fazer e bancar escolhas, priorizar atividades, avaliar as situações, lidar com expectativas e frustrações, gerir o tempo, reconhecer nossas falhas e faltas, se reinventar para não sucumbir...
Tudo isso mobiliza sentimentos que podem ser (e são muitas vezes) desesperadores. Pensar demais, se preocupar demais e tentar controlar o incontrolável implica num gasto de energia que leva a um cansaço adoecedor.
Como poderíamos lidar com isso? Existiria um jeito de nos mantermos ao mesmo tempo firmes e tranquilos diante das intempéries da vida?
Em um dos seus textos sobre desenvolvimento, Vigotski disse que nos primeiros anos de vida a criança vê a situação, mas não a conhece, não a analisa, não a determina. Em vez de conhecê-la, ela vive. Por isso, minha resposta é: seja mais como as crianças pequenas, não queira tudo entender. Observe-as, veja o que elas podem te ensinar.
A criança pequena é aquele serzinho que está ali, vivendo. Ela não problematiza porque ainda não desenvolveu o pensamento por conceitos que a permitirá compreender as relações existentes no mundo e a questionar a si própria e a realidade em que vive.
A simplicidade da criança e sua capacidade de viver o lúdico nos fala sobre viver o presente, sobre descobrir coisas novas, sobre satisfação do prazer.
Longe de querer reduzir a infância e a vida adulta, ou pior, de defender a não reflexão, o meu convite é para olharmos para o nosso entorno e buscarmos a vida que pode ser vivida com a curiosidade e presença infantil, mesmo que sejam pequenos os instantes de existir e apenas existir.

Imagem: “Meninos soltando pipa” - Cândido Portinari.



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