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Blog - Compartilhando ideias

Limitar para poder ser livre

  • Carolina Nascimento
  • 14 de mai. de 2020
  • 2 min de leitura

Na busca por sentidos outros sobre as relações humanas, resgato aqui uma reflexão que um dia eu quis elaborar, mas que acabei deixando passar em algum momento...


Atravessada por histórias de vida de muitas pessoas e que, de algum modo, também dizem sobre a minha própria história, penso que precisamos falar sobre limite, aqui entendido como a linha tênue que separa aquilo que eu compreendo/entendo, daquilo que eu suporto/necessito para seguir.


Pra começar essa conversa, faço algumas perguntas que considero fundamentais:


Você sabe quais são suas maiores necessidades? Você é capaz de identificar o que valoriza nas (suas) relações? Você se conhece/se percebe ao ponto de identificar os seus limites? Você consegue frear algo quando percebe que aquilo te faz mal?

Cada uma dessas perguntas pode se desdobrar em várias outras e, para mim, aí está a riqueza dos encontros que nos transformam, porque não existe A pergunta nem A resposta, mas é o que elas todas produzem quando começamos a nos questionar e nos perceber como ativos nesse processo de estar vivo.

Nessa perspectiva, o limite não é algo dado, igual para todos, mas algo criado e situado nas nossas relações. Por exemplo, compreender o outro e entender os processos do outro - suas dores e delícias - é uma virtude, mas, se na relação isso ganha uma proporção que impacta diretamente naquilo que preciso e necessito, temos um problema aí. Nesse caso, o limite vem como alerta e sinal de que é preciso aprofundar o olhar, estar atento.

Não tem como falarmos de limite se não fizermos um mergulho em nossa história, no que aprendemos, na forma como nos colocamos e nas escolhas que fazemos diariamente. Isso, no entanto, não representa olhar para dentro e esquecer da realidade material que, muitas vezes, é cruel. O meu convite é justamente para fazermos uma pausa e buscarmos identificar como o(s) outro(s) nos marcam e quem somos nós quando estamos com esse(s) outro(s), apostando na imaginação como forma de nos ajudar a vislumbrar outras relações possíveis onde esses limites sejam também redimensionados.

Paulinho da Viola canta: “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar”. Eu discordo dessa ideia determinista de que as coisas são como são e cabe a nós seguirmos o fluxo. Veja bem, fomos nós que criamos o barco, o remo, a vela, o motor e tudo aquilo que nos permite navegar e conhecer novos mundos... Da mesma maneira, em se tratando de relacionamento, somos nós que criamos e colocamos os nossos limites para termos paz.

Pensando em (pequenas) liberdades, limitar também é um jeito de ser livre. Limitar para respirar, para seguir outros caminhos, para experimentar o novo e criar jeitos diferentes de ser e de relacionar.




 
 
 

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