A rebeldia necessária para construirmos o novo
- Carolina Nascimento
- 27 de jan. de 2019
- 2 min de leitura

Há alguns dias assisti a um documentário brilhante chamado “Alma Imoral”, dirigido por Silvio Tendler, o qual aborda a temática da transgressão e rebeldia como impulsionar da vida.
Em certo momento do vídeo, uma pessoa faz uma metáfora que me chamou bastante atenção. Ao falar sobre o quão desafiador é mudar o que está colocado como verdade, ele ressalta a coragem e ousadia de algumas pessoas que “passam por cima de um rio, enfrentando todas as dificuldades nesse processo, fazem o que precisam do outro lado e, em seguida, constroem uma ponte ao voltar, para que todos possam atravessá-lo com maior facilidade”.
Achei linda essa metáfora e venho pensando nela com certa frequência.
É muito comum associarmos transgressão e rebeldia a significações negativas, da ordem do erro, do não ético, do que se deve evitar. Mas se olharmos com outras lentes, veremos que transgredir e se rebelar é imaginar (e acreditar) que algo pode ser diferente no futuro. É uma indign(AÇÃO) que mobiliza, que questiona, que inclui e constrói algo novo.
Buscar a intenção ou a finalidade, isto é, os porquês, das nossas emoções, pensamentos e ações nos ajudam a entender melhor isso que descrevo.
Por que se rebelar contra a opressão, contra a exclusão, a violência e desigualdade? Porque tudo isso produz sofrimento, tanto pessoal quanto social, e precisamos dar voz, enfrentar e agir para construirmos pontes e não precisarmos atravessar “o caminho das pedras” (ou do rio) todas as vezes.
Algumas pessoas têm uma vida destinada à construção de pontes. Elas lutam e acreditam que é possível termos melhores condições de vida, no coletivo. Tantas outras se juntam a elas nessa caminhada, no entanto, há quem ignore e há também quem deseja destruir toda e qualquer ponte que se diz “para livre circulação de todos”.
Gosto muito da ideia de construirmos pontes. E, por que não, sermos pontes? Mediar e facilitar a construção de um mundo melhor me parece tão transgressor quanto!
Imagem: Rob Gonsalves



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