Nada é tão óbvio quanto parece!
- Carolina Nascimento
- 12 de mai. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 12 de mai. de 2019
Há várias coisas que são consideradas óbvias para alguns, e, para outros, essas mesmas coisas são totalmente inéditas. Por isso, quis escrever esse texto para ser uma alerta e um lembrete sobre os perigos da obviedade.
Algo é ou se torna óbvio porque foi incorporado em nós, como se não pudesse ser outra coisa, porque é algo que está superado, logo, sem possibilidade de questionamentos e contradições. No entanto, se levarmos em consideração alguns fatores, como as condições de existência, as relações estabelecidas nos diferentes contextos, a história de vida de cada um e a origem dos processos, precisaremos fazer algumas perguntas:
Para quem falamos? Conhecemos o outro? Quais são as possibilidades de reflexão que os sujeitos têm? Quem são seus interlocutores? Como se dão as relações de poder? De que modo a linguagem é apropriada pelo mesmo?
Ao considerarmos o desenvolvimento infantil, isso se torna ainda mais evidente. A criança não é como uma fruta, que amadurece com o tempo. A criança precisa estar em um ambiente que a estimule, ela precisa de pessoas que nomeiem o que ela ainda não conhece, pessoas que vão apresentando o mundo à ela. O seu desenvolvimento cultural se dará primeiro no plano social (interpsicológico), para, então, internalizar processos vividos externamente e chegar ao plano intrapsicológico.
Daí vemos que o meio é fonte de desenvolvimento. Com o(s) outro(s), a criança vai se apropriando da linguagem, dando significado às coisas, assimilando regras e formas de se expressar. Nada é óbvio nesse processo. Por isso é grave demais a falta de diálogo, a falta de tempo para estar com a criança, para brincar com ela, experimentar coisas novas e apresentar à ela os conhecimentos que a humanidade acumulou historicamente. Isso explica porque temos um Estatuto que garante à criança o direito à educação.
Porém, conforme crescemos e nos tornamos adultos, por encorporarmos várias ações e comportamentos, tendemos a naturalizar os processos que passamos. Vigotski nomeia esses processos automatizados e mecanizados como comportamentos fossilizados.
Dificilmente pensamos em como nos movimentamos, em como fazemos nossas escolhas, em como nos colocamos diante das situações e das outras pessoas. É como se fosse óbvio tudo isso. Logo, quando nos deparamos com algo ou alguém que não tem as mesmas certezas garantidas, em relação às minhas, ou com algo que me tira da zona de conforto, é comum haver resistência, crítica, isolamento, imposição...
Penso na Educação como um elo importante de coesão. Acreditar e valorizar o processo educativo (seja ele formal ou informal) é ir contra a obviedade. É entender que o óbvio encerra a bonita possibilidade de entendermos os processos, a origem, os porquês das coisas. É ensinar que perguntando e questionando avançamos mais do que quando damos respostas prontas, é ensinar a importância de não ficarmos no aparente, mas de buscarmos entender o mundo em seu processo de mudança.
O vídeo abaixo nos mostra o que Istvan Banyai representou em seu livro e que, na minha opinião, dialoga com toda essa discussão sobre a obviedade como forma de simplificação do real e do vivido.




Comentários