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Blog - Compartilhando ideias

Nuances da diversidade: o potencial do diálogo na escola

  • Carolina Nascimento
  • 13 de jan. de 2019
  • 2 min de leitura

Em uma escola pública de educação básica, realizo uma atividade com crianças de 10 e 11 anos sobre o tema da diversidade. Primeiro fazemos uma vivência e depois dialogamos sobre a mesma. As crianças demonstram entendimento acerca das diferenças humanas e suas formas de expressão, como os aspectos culturais, biológicos e sociais. Após longa discussão, eu faço uma nova pergunta:


— Se entendemos que somos todos diferentes e que não existe algo ou alguém melhor ou pior, por que não nos respeitamos? Por que ainda há violência, discriminação e relações onde uns se acham mais poderosos que os outros?


Dentre as diferentes respostas, uma me chama bastante atenção:


— Porque não temos paciência.


Curiosa com essa reflexão, peço para que explique melhor o que quis dizer. Então o menino diz:


— Não temos paciência com o que é diferente, queremos que as pessoas sejam como nós, do nosso jeito, naquela hora.


Nesse momento, dou continuidade com a discussão, abordando com o grupo sobre a forma como nossa sociedade está configurada, a pressa, a falta de tempo, as diferentes necessidades que temos para conseguirmos dar conta da vida. Juntos, chegamos à conclusão de que o individualismo não favorece a diversidade e que para rompermos com essa lógica, precisamos ter mais momentos como esse, onde o diálogo, a reflexão e a construção coletiva de pensamentos e ações sejam possíveis.


Nessa escola, onde a turma é tida como “A problemática”, os alunos estavam interessados, curiosos e participativos. Foi possível realizar uma atividade com trocas importantes, com direito de expressão, de fala e de escuta.


Volto para casa reflexiva. Questiono-me por que vivemos tão impacientes. Penso nessa criança de 10 anos que me faz re(lembrar) coisas que valorizo e que acredito serem importantes.


A construção de uma sala de aula, de uma escola, de uma cidade, de uma sociedade e de um mundo inclusivo, requer investimento; requer tempo e trabalho árduo para pensar junto e construir entendimentos que todos acessem. A paciência que essa criança fala, não é aquela que remete à passividade, a anulação de mim e do(s) outro(s). Ela fala de uma paciência que abrange a pluralidade humana, que valoriza a tolerância e percebe o processo de cada um, no seu tempo.


Uma paciência que não desiste! Que entende que existem outros meios de sermos melhores enquanto humanidade, sem que seja preciso usar da força ou do poder opressor para sermos legitimados e/ou respeitados.


Toda essa reflexão me fez pensar nas etapas da vida e nos diferentes papéis que desempenhamos ao longo dela: no processo de escolarização; no ensino e aprendizagem; nas escolhas que fazemos; nas relações interpessoais, enfim, em todas as vivências que temos, seja no âmbito pessoal ou coletivo. Precisamos de paciência e uma dose de otimismo para enxergarmos potencial nos espaços que ocupamos.


Saio da escola orgulhosa das crianças que aprendem, ensinam e têm sede de transformação. Fico com a certeza de que a escola é um espaço potente e que precisamos investir no diálogo e na coletividade como formas de construirmos pensamentos críticos e relações humanas éticas e includentes.


Imagem: Grafite - Os Gêmeos.

 
 
 

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