Sobre arte e vida
- Carolina Nascimento
- 25 de fev. de 2019
- 2 min de leitura

Minha história com a arte vem de muito antes de eu nascer. Minha mãe se formou em artes plásticas e teve uma vida de professora de artes para crianças da educação básica. Meu pai, desde muito jovem, sempre relacionou arte com comunicação no seu trabalho com silk e posteriormente com comunicação visual, em geral. Desde que me entendo por gente, ele é também aquele que leva o violão para as confraternizações e encanta a todos com sua voz e interpretações únicas.
Cresci em uma casa nada silenciosa, a arte sempre fez eco na minha morada. Seja no aparelho de som, no violão, na voz dos meus pais, na guitarra, na garagem onde meu irmão ensaiava com os primos e amigos, na flauta e teclado que eu tocava, nos meus ensaios de ballet pelos cantos da casa, nos mosaicos da minha mãe, nas mandalas... ela sempre esteve alí.
Não por acaso, sou uma admiradora, amante e defensora das artes. Acho incrível sua capacidade de sensibilizar, de tocar e de nos permitir vivenciar experiências únicas.
Atrelada aos processos imaginativos, ela cria o novo e expande. O que são os mitos, as poesias, as fábulas, as ficções, se não arte/subversão?
Com a arte podemos viajar, experimentar, transitar, ir além. Quem nunca teve a sensação de olhar/ouvir/sentir algo e perceber ali alguma coisa inédita? Essa experiência estética é rica porque nos permite relacionar com as coisas de uma outra forma, transformando nossas percepções, emoções e ações. A arte nos liberta do mundo convencional!
O autor que estudo, Vigotski, aprofundou a relação da arte com o desenvolvimento humano. No livro Psicologia da Arte, ele escreveu: “A arte parece completar a vida e ampliar as suas possibilidades”. Essa frase e toda sua reflexão descortinam nosso potencial de sermos mais e melhores e como a arte contribui nesse processo.
Não sou uma pessoa de muitas certezas, mas posso te garantir que quando buscamos a arte para as nossas vidas (seja como apreciador/espectador, ou como criador), temos um ganho qualitativo imenso no nosso viver.
Questione sua história e reflita de que modo a arte faz parte dela. Se ela está distante, experimente trazê-la para mais perto de você e sinta os efeitos disso. Se ela está presente, como na minha, pense em como pode levá-la para outros contextos e como pode apoiar e incentivar projetos que tem a arte como forma de emancipação humana.
Em tempos de individualismo e egoísmo, te convido a buscar na arte formas de valorizarmos (e vivenciarmos) a coletividade e a união.
À minha família, agradeço por terem me ensinado tanto sobre arte e afeto. Antes de saber sobre Vigotski e Psicologia da Arte, eu já sentia sua força transformadora.
Como é bom quando nos damos conta de que as teorias falam da vida, de pessoas e histórias.
Aprofundar todas essas relações, experiências, sentidos e entendimentos também é papel da arte - ainda bem!
Imagem: Jean-Michel Basquiat



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