Somos uma sociedade adoecida?
- Carolina Nascimento
- 15 de mar. de 2019
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de mar. de 2019

Eu gosto muito desse poema de Galeano, tanto que ele consta na epígrafe da minha dissertação de mestrado. A invisibilidade é algo que me afeta e ao longo da minha história, tanto pessoal, quanto profissional, tenho tentado romper com vulnerabilidades, buscando estar e criar espaços onde as pessoas possam existir, se manifestar e ser autoras de suas histórias.
Há pouco eu disse que somos uma sociedade adoecida. Não são raros os episódios de violência, de corrupção, de coerção e de valorização de interesses próprios. As condições de vida que estamos submetidos estão nos fazendo padecer.
Seja pela manutenção de um status de poder, seja pelo desejo de ser visto e validado, estamos matando (a nós e a natureza) e estamos morrendo. É empresa que não quer deixar de lucrar, colocando vidas sob a lama; milícias que executam defensores de direitos; homens que matam mulheres por considerá-las inferior; jovens/ninguéns que se identificam com discursos e práticas de ódio para terem seu sofrimento legitimado.
Um adoecimento coletivo que tem em sua base as condições histórico-culturais em que estamos submetidos: crise econômica e política, insegurança, ódio, medo. Por isso é tão difícil se manter firme, ter esperanças e continuar com projetos que rompam com essa lógica.
Fico me questionando, quase em tempo integral, como as histórias dos ninguéns podem ser transformadas; como resistirmos à essa onda do “aqui se faz, aqui se paga”; como não nos deixar levar pelo fatalismo, de que “é assim mesmo”; como acreditar que vamos evoluir enquanto sociedade, se a realidade está cada dia mais cruel?
Precisamos nos cuidar, não pensar sozinho, compartilhar nossos sentimentos e inquietações.
Precisamos falar, ser ouvidos, exigir respostas e não aceitar o que está dado.
Precisamos acreditar, defender e valorizar as políticas públicas, cobrar para que elas existam e cumpram com seu papel.
Enquanto vivermos essa realidade onde poucos mandam, uns obedecem e outros, nada, pois são “ninguéns”, seremos uma sociedade doente.
Precisamos acreditar no nosso potencial, em especial, na força do coletivo!



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