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Blog - Compartilhando ideias

É possível encontrar felicidade nos conflitos?

  • Carolina Nascimento
  • 12 de fev. de 2019
  • 2 min de leitura



Dizem que “é urgente ser feliz!”, a felicidade parece ser o objetivo da vida, o que há de mais precioso e o que deve ser buscado a todo custo. Ela é tão valorizada que até virou mercadoria. Tem muita gente vendendo felicidade por aí e compradores interessados, não faltam.


Adquire-se felicidade ao comprar aquela roupa, sapato, bolsa, carro e casa dos sonhos, ao fazer aquela terapia que mudará sua vida, ao vivenciar um relacionamento amoroso, ao fazer aquela viagem planejada, ao ir a uma festa glamourosa, e daí em diante...


Falam que a felicidade está naquilo que possibilita prazer e, por isso, não devemos medir esforços para encontrá-la e mantê-la.


Nesse sentido, o conflito é tudo o que se deve evitar para a existência de uma vida feliz e plena. Para piorar, ele vem acompanhado de outros significados abomináveis que devem ser evitados imediatamente, como problema, discussão, desentendimento e briga.


Mas, brincando com os sentidos das palavras e valorizando as contradições (que estão em tudo), e se alguém disser que é possível encontrar felicidade nos conflitos? Ou, então, que o conflito evitado produz infelicidade?


Se entendermos que nada está dado e que a vida se faz vivendo, veremos que não há receitas, fórmulas mágicas ou manuais para ser feliz. Felicidade, tristeza, coragem, medo, amor, raiva - dentre tantos outros - são sentimentos que todos temos e valorizarmos alguns, em detrimentos de outros, ou simplesmente negá-los, não me parece ser uma boa estratégia. Expressar é sempre o caminho!


Na expectativa de uma vida feliz, aprendemos que devemos evitar a tristeza, evitar conversas que têm ideias divergentes, evitar falar das nossas fraquezas, evitar falar a verdade (quando essa pode machucar o outro). Com isso, vamos evitando também tantas possibilidades de construirmos relações verdadeiras, íntimas e novas perspectivas e entendimentos sobre as coisas.


Em prol da felicidade, temos perdido nossa capacidade de se colocar no lugar do outro, de experimentar outros jeitos de estar no mundo, reconhecermos nossos erros e repará-los. “Viver é muito perigoso”, disse Guimarães Rosa. Isso implica que conflitos, sofrimentos e desequilíbrios são partes do viver. É uma grande ilusão acreditarmos que a felicidade está naquilo que iremos adquirir ou naquilo que iremos conquistar, no futuro.


Veja, essa não é uma apologia à tristeza, melancolia ou discussão de relacionamento. Pelo contrário, é uma reflexão que tem o objetivo de resgatar aquilo que temos de mais humano: nossa capacidade de afetar, ser afetados, significar e ressignificar nossa história e existência a partir das nossas relações.


Felicidade não é fim, é meio! Ao lidarmos com os conflitos, dialogarmos, expressarmos sentimentos e pensamentos, termos relações saudáveis e leais, sermos coerentes e cuidadosos, certamente seremos mais felizes, no presente!



Imagem: Pablo Picasso - A Mulher que Chora.

 
 
 

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